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Por Carlindo Medeiros, Jornalista e Editor Responsável
Nos últimos anos, o debate sobre a saúde mental e a neurodivergência ganhou as redes sociais e as mesas de conversa. Entre os termos mais pesquisados e discutidos estão o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diante de tantos conteúdos circulando na internet, uma dúvida tornou-se comum no consultório de psicólogos e psiquiatras: afinal, o TDAH é uma forma de autismo?
A resposta direta e científica é não. Embora ambos sejam transtornos do neurodesenvolvimento e possam compartilhar algumas características superficiais como a agitação ou a dificuldade de foco em determinadas situações, eles possuem bases diagnósticas e critérios clínicos completamente diferentes.
O que define o TDAH?
O TDAH é caracterizado essencialmente por um padrão de desatento, hiperatividade e impulsividade. Na prática, o indivíduo com TDAH apresenta uma tendência acentuada a ser muito agitado, muito desatento, ou até mesmo uma combinação desses dois fatores. Essa condição afeta diretamente a capacidade de organização, o gerenciamento do tempo e a manutenção do foco em tarefas longas ou repetitivas.
O "Tripé" do Autismo
Por outro lado, o autismo possui um ecossistema clínico próprio. Para que um indivíduo receba o diagnóstico de autismo, é necessário preencher o chamado "tripé" diagnóstico, que engloba três áreas fundamentais:
Dificuldades na interação social: Desafios em iniciar ou manter vínculos e compreender convenções sociais.
Dificuldades na comunicação: Barreiras na linguagem verbal e não verbal, além da reciprocidade socioemocional.
Comportamentos restritos e repetitivos: Presença de movimentos estereotipados, apego rígido a rotinas e interesses muito específicos ou intensos.
A regra clínica é clara: caso uma pessoa tenha TDAH, mas não apresente este tripé diagnóstico, ela não é autista.
A complexidade do diagnóstico e o papel da equipe multidisciplinar
Embora sejam condições distintas, a medicina reconhece a possibilidade de comorbidade, ou seja, uma mesma pessoa pode apresentar os dois diagnósticos simultaneamente. É justamente essa sobreposição que reforça a necessidade de um olhar clínico rigoroso.
O diagnóstico de autismo não deve ser baseado em testes rápidos de internet ou em achismos. Trata-se de um processo complexo que exige uma avaliação detalhada feita por uma equipe multidisciplinar (composta, geralmente, por psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos).
Acima de tudo, é indispensável que o parecer final seja dado por um profissional médico especializado em autismo (como um neuropediatra ou psiquiatra da infância e adolescência, ou psiquiatra especializado em adultos). Só essa abordagem garante que o paciente receba o direcionamento correto e o suporte terapêutico adequado para a sua real condição jurídica e de saúde.

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